Vanessa Haddad
Lis Lopes diz que já sofreu preconceito e foi assediada por conta da modalidade

“Essas reações dizem muito mais sobre a cultura machista e moralista que ainda permeia nossa sociedade”, diz ela
Ainda que o pole dance seja uma modalidade de dança popular, ela é vista preconceito e julgamento às praticantes, devido à associação com as casas de striptease. Lis Lopes, instrutora de pole dance e especialista em pole esporte já recebeu propostas indecentes e ouviu muitas frases preconceituosas.
“Apesar de ser uma prática que cresce a cada ano e conquista cada vez mais adeptos no Brasil e no mundo, o pole dance ainda carrega, para muitos, o peso do preconceito. Isso acontece principalmente pela associação histórica com casas de strip tease, onde a barra era usada como parte de apresentações sensuais. Mas o que muitos não sabem é que, ao longo dos anos, o pole dance evoluiu, se diversificou e se consolidou como arte, esporte e forma de empoderamento pessoal”.
Lis diz, que infelizmente, nem todos acompanham essa evolução do pole dance. Ela acredita que o machismo é a raiz do estigma da prática. “Já ouvi frases como “isso é coisa de mulher vulgar”, ou “e o seu marido deixa?”. Já recebi olhares maliciosos e até propostas indecentes, como se praticar pole dance fosse um convite aberto à objetificação. Mas essas reações dizem muito mais sobre a cultura machista e moralista que ainda permeia nossa sociedade do que sobre a prática em si.O preconceito ainda existe, mas ele vem da desinformação”, afirma.
A instrutora aponta que o pole, atualmente, é uma prática reconhecida mundialmente como esporte, arte e expressão corporal. “Envolve técnicas de força, equilíbrio, flexibilidade e consciência corporal. Não é exagero dizer que é um dos exercícios mais completos que existem. Exige tanto do corpo quanto da mente, e por isso transforma quem pratica”.
Lis Lopes destaca que existem várias vertentes do pole: o pole esporte, voltado para movimentos acrobáticos e competitivos; o pole artístico, que mistura dança e expressão corporal; e o pole sensual, que resgata a relação com a sensualidade de forma livre e empoderadora. “Nenhuma delas é menor que a outra. Todas exigem treino, dedicação e respeito”, aponta.
A influenciadora afirma que, para ela,, o pole é um instrumento de transformação pessoal. “É através dele que mulheres (e também homens) redescobrem sua força, seu corpo, sua confiança. É sobre olhar para o espelho e se ver potente. É sobre se libertar do medo de julgamento, e encontrar prazer em se movimentar — não para os outros, mas por si mesma”.
Ela acredita que, enquanto houver desinformação, haverá também julgamento. “Mas enquanto houver uma barra e alguém disposto a se expressar, haverá pole. E cada pessoa que entra nessa jornada ajuda a resgatar o significado real dessa prática: liberdade, potência e autoconhecimento”, finaliza.
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