Entretenimento
Heitor Werneck leva debate sobre fetiche, deficiência e autonomia ao Museu da Diversidade Sexual

Produtor cultural participa do “Diálogos Comunitários: Afeto e Autonomia” ao lado de Julia Piccolomini e Mayara Ribeiro; encontro gratuito discute desejo, sexualidade, acessibilidade e o direito de pessoas com deficiência viverem seus afetos sem estigmas
Falar sobre sexualidade ainda é difícil para muita gente. Quando a conversa envolve pessoas com deficiência, os tabus podem ser ainda maiores. É justamente esse silêncio que o produtor cultural Heitor Werneck, conhecido por sua atuação há décadas no universo do fetiche e da diversidade sexual, pretende ajudar a romper durante o “Diálogos Comunitários: Afeto e Autonomia”, no Museu da Diversidade Sexual, em São Paulo.
O encontro gratuito reúne Heitor Werneck, Julia Piccolomini e Mayara Ribeiro para uma conversa sobre corpo, desejo, autoestima, consentimento, saúde mental, relacionamentos, orientação sexual, identidade, acessibilidade e redes de apoio. A proposta é colocar no centro da discussão experiências que historicamente foram atravessadas pela invisibilidade e por estereótipos.
Entre os participantes estão diferentes vivências relacionadas à deficiência e à sexualidade: uma pessoa autista ligada ao universo kinky, uma mulher cadeirante bissexual e uma mulher cadeirante lésbica. O encontro pretende mostrar que deficiência não elimina desejo, identidade, orientação sexual ou o direito de estabelecer relações afetivas e sexuais com autonomia.

Para Heitor, falar sobre fetiche nesse contexto também significa questionar a ideia de que determinados corpos não desejam ou não podem exercer plenamente sua sexualidade.
“Existe uma infantilização muito grande da pessoa com deficiência. Muitas vezes, a sociedade olha para ela como alguém que precisa apenas de cuidado e esquece que estamos falando de adultos que têm desejos, fantasias, fetiches, relacionamentos e direito à própria sexualidade. Autonomia também é poder decidir sobre o próprio corpo, estabelecer limites e viver o prazer da maneira que fizer sentido para cada pessoa”, afirma Heitor Werneck.
Com uma trajetória diretamente ligada à cultura fetichista brasileira, Heitor também chama atenção para um dos princípios fundamentais do universo kinky: o consentimento. Para ele, falar sobre limites, comunicação e autonomia é indispensável em qualquer relação.
“No fetiche, a conversa sobre consentimento precisa acontecer antes de qualquer prática. É preciso entender o que a outra pessoa deseja, quais são seus limites e de que maneira ela consegue expressá-los. Quando colocamos pessoas com deficiência nessa discussão, também precisamos falar de acessibilidade. Não existe autonomia real quando o ambiente, a comunicação ou o preconceito impedem alguém de fazer suas próprias escolhas”, acrescenta.

Julia Piccolomini leva ao debate a experiência de uma mulher PcD e bissexual
Uma das participantes da roda será Julia Piccolomini, presidente da Parada do Orgulho PcD Brasil, palestrante, consultora em diversidade, equidade e inclusão, empreendedora, atriz, modelo e criadora de conteúdo digital.
Mulher bissexual e com uma deficiência física rara, Julia é formada em Artes Cênicas e especialista em Gestão de Pessoas pela USP. Antes de ampliar sua atuação pública em torno da diversidade e da inclusão, construiu uma trajetória de mais de dez anos na área de Recursos Humanos, incluindo trabalhos relacionados à Diversidade e Inclusão.
Como palestrante, já participou de ações em empresas como Google, Amazon, Natura, Oracle, Decathlon e Tiffany & Co. Em 2024, venceu o reality “New Faces”, do Prime Video, voltado à descoberta de novos talentos da moda.
Julia também é fundadora da ÉPICCO, marca de moda inclusiva que busca aproximar acessibilidade e estilo. Nas redes sociais, utiliza sua própria experiência para discutir representatividade, deficiência, diversidade, moda e autonomia.
Sua participação amplia uma das questões centrais do encontro: a necessidade de permitir que pessoas com deficiência sejam protagonistas das conversas sobre seus próprios corpos, desejos e relacionamentos.
“Quando colocamos essas vivências lado a lado, conseguimos ampliar a discussão. Uma pessoa autista kinky terá questões diferentes de uma mulher cadeirante bissexual ou de uma mulher cadeirante lésbica. O mais importante é permitir que essas pessoas falem sobre a própria sexualidade em primeira pessoa, em vez de deixar que outras pessoas determinem o que elas podem ou não viver”, destaca Heitor.
Afeto e autonomia sem infantilização
O encontro também pretende enfrentar uma percepção ainda presente socialmente: a ideia de que pessoas com deficiência seriam assexuadas ou deveriam permanecer afastadas de discussões sobre desejo, prazer e relacionamentos.
Antes da roda de conversa, o público participará de uma visita mediada pelas exposições do Museu da Diversidade Sexual, aproximando os participantes das histórias, memórias e narrativas LGBTQIA+ presentes no espaço.
A programação começa às 18h30, enquanto a roda de conversa sobre Afeto e Autonomia está prevista para 19h30. O debate abordará sexualidade, corpo, desejo, autoestima, consentimento, saúde mental, relações afetivas, acessibilidade e redes de apoio, com participação do público ao final.
Para Heitor Werneck, levar o assunto para um espaço dedicado à diversidade também contribui para retirar essas experiências da invisibilidade.
“Desejo não pertence a um tipo específico de corpo. Afeto, prazer, fetiche e sexualidade fazem parte da experiência humana. Quanto mais conseguimos falar sobre isso sem moralismo e com responsabilidade, consentimento e respeito às diferenças, mais espaço criamos para que cada pessoa tenha autonomia sobre a própria vida”, conclui.
Serviço
Diálogos Comunitários: Afeto e Autonomia – Visita Mediada + Roda de Conversa
Participantes: Heitor Werneck, Julia Piccolomini e Mayara Ribeiro
Data: 17 de setembro de 2026, quinta-feira
Horário: 18h30 às 21h
Local: Museu da Diversidade Sexual – Estação República do Metrô, São Paulo
Entrada: gratuita e aberta ao público
Acessibilidade: a atividade contará com recursos e estratégias de acessibilidade de acordo com as necessidades do público participante.
Instagram do evento/publicação:
https://www.instagram.com/p/Dbyx76_llMY/?img_index=8
Instagram de Julia Piccolomini:
https://www.instagram.com/julia.piccolomini/
(Crédito: Divulgação)
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