Marcos Michalak
São Julhão Festival foi um sucesso e transformou São Paulo em território nordestino

De 5 a 9 de agosto, Mercado Livre Arena Pacaembu e Praça Charles Miller receberam grandes nomes da música e do humor, além de experiências que celebraram a cultura dos nove estados do Nordeste
Por cinco dias, São Paulo ganhou sotaque, sabores, ritmos, humor e tradições do Nordeste. A primeira edição do São Julhão Festival chegou ao fim neste domingo (9), depois de transformar a Mercado Livre Arena Pacaembu e a Praça Charles Miller em um grande ponto de encontro da cultura nordestina na capital paulista.
Com uma programação que começou na terça-feira (5), o festival reuniu música, comédia, circo, gastronomia, cenografia e manifestações populares, criando uma experiência que foi muito além dos shows. Tirulipa e GKay foram os anfitriões do São Julhão, conduzindo a festa e ajudando a dar o tom descontraído e popular que marcou os cinco dias de evento.
A programação começou em grande estilo no dia 5 de agosto, com Tom Cavalcante apresentando o espetáculo “O Tom Tá On”. Nos dias 5 e 6, o público também pôde conferir o Circo do Tiru, comandado por Tirulipa, que levou para a Praça Charles Miller uma experiência circense ao festival, ampliando a programação para além da música e aproximando ainda mais o público de diferentes formas de entretenimento e dia 7/8 show com Jonatha e Cristiano, artistas nordestinos que tocaram no palco da Villa São Julhão.
A programação musical teve início na sexta-feira (7), com Dorgival Dantas, Alceu Valença e João Gomes, que abriram a festa na Mercado Livre Arena Pacaembu levando ao palco diferentes gerações e vertentes da música nordestina.
No sábado (8), Mari Fernandez, Zé Vaqueiro, Fagner e À Vontade comandaram a programação. A noite ainda teve um dos momentos mais espontâneos do festival: Pablo deixou o palco e desceu até a grade para cantar no meio do público. Cercado pelos fãs, o artista levou o arrocha para perto da multidão e transformou o show em um grande encontro, sem distância entre palco e plateia.
No domingo (9), Toque Dez, Nattan, Xand Avião, Henry Freitas e Calcinha Preta ficaram responsáveis pela programação musical do dia. E foi sob chuva que o festival viveu um de seus momentos mais emocionantes. Mesmo debaixo d’água, o público permaneceu diante do palco para acompanhar a Calcinha Preta e cantou em coro com a banda os grandes sucessos que atravessam gerações. A chuva, que poderia ter abreviado a festa, acabou se tornando parte do espetáculo. Artistas e público juntos, cantando em uma só voz, deram ao encerramento o clima de uma grande celebração coletiva da música nordestina.
Ao longo da programação musical, os shows passaram pelo forró, piseiro e arrocha, ritmos que fazem parte da identidade musical do Nordeste e que conquistaram espaço em todo o Brasil. A proposta foi reunir diferentes gerações e estilos em uma celebração capaz de mostrar a amplitude da música produzida na região.
Idealizado por Netinho Lins, empresário e CEO do Grupo DuBem, o São Julhão Festival nasceu com a proposta de levar para São Paulo a experiência dos grandes festejos de São João realizados em diferentes partes do Nordeste. A escolha da capital paulista também se relaciona à forte presença nordestina na cidade, que concentra a maior população nordestina fora da região, estimada em cerca de 6 milhões de pessoas.
A concepção do festival buscou ir além da música, reunindo gastronomia, cenografia, humor, circo e manifestações populares em uma experiência dedicada à cultura dos nove estados do Nordeste.
Além dos shows na Arena, o festival ocupou a Praça Charles Miller com a Vila São Julhão, espaço com entrada gratuita criado para ampliar a experiência do público e apresentar diferentes referências culturais nordestinas por meio da cenografia, gastronomia e atividades culturais.
A Vila reuniu pratos e sabores tradicionais de diferentes partes da região, permitindo ao público conhecer referências da culinária nordestina. A programação também contou com gincanas, atrações circenses, conversas e outras atividades voltadas à cultura popular.
A cenografia foi outro elemento de destaque. Grandes bonecos inspirados em personagens e figuras ligadas à cultura nordestina, como Luiz Gonzaga, além de elementos associados à música e às tradições populares, ajudaram a transformar a Praça Charles Miller em um verdadeiro pedaço do Nordeste em São Paulo.
Ao ocupar o Pacaembu e a Praça Charles Miller de 5 a 9 de agosto, o São Julhão Festival encerrou sua primeira edição reunindo música, humor, circo, cultura, sabores e encontros. Do espetáculo de Tom Cavalcante ao Circo do Tiru, da festa comandada por Tirulipa e GKay ao abraço de Pablo no meio da multidão, até o coro da Calcinha Preta debaixo da chuva, o festival terminou deixando uma certeza: por cinco dias, São Paulo não apenas recebeu o Nordeste — viveu o Nordeste!
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