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Melasma: a ciência mostra que as manchas podem começar de dentro para fora

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Novas pesquisas ampliam a compreensão sobre uma das principais queixas dermatológicas das brasileiras e mostram que inflamação, estresse oxidativo e alterações hormonais também influenciam o surgimento e a recorrência das manchas. O resultado é uma abordagem mais integrada, que combina dermocosméticos personalizados, fotoproteção e suporte ao organismo.

Poucas condições dermatológicas impactam tanto a autoestima feminina quanto o melasma. Caracterizado pelo aparecimento de manchas escuras, principalmente na testa, bochechas, nariz e buço, o problema não representa risco à saúde, mas costuma afetar a forma como muitas mulheres enxergam a própria imagem, influenciando relações sociais, vida profissional e até hábitos do dia a dia.

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), cerca de 35% das mulheres brasileiras em idade fértil convivem com algum grau de melasma, uma condição mais frequente em pessoas de fototipos intermediários e altos, especialmente peles morenas e negras. Além da elevada prevalência, estudos também apontam um importante impacto na qualidade de vida: mais de 60% dos pacientes relatam prejuízos emocionais relacionados às manchas, como insegurança, constrangimento e redução da autoestima.

Durante muitos anos, o tratamento esteve concentrado quase exclusivamente em cremes clareadores, procedimentos estéticos e no uso rigoroso do protetor solar. Essas estratégias continuam sendo fundamentais, mas os avanços científicos mostram que elas representam apenas uma parte do cuidado.

Hoje, pesquisadores entendem que o melasma é uma doença crônica, multifatorial e recorrente. Isso significa que a exposição ao sol continua sendo um fator importante, mas não é a única responsável pelo aparecimento ou pela volta das manchas. Alterações hormonais, predisposição genética, calor, luz visível, inflamação e estresse oxidativo também participam desse processo.

Essa mudança de entendimento vem transformando a forma como médicos, farmacêuticos e profissionais da estética conduzem o tratamento.

“Durante muito tempo, o foco era apenas reduzir a pigmentação da pele. Hoje sabemos que o melasma envolve mecanismos muito mais complexos. Existe um componente inflamatório importante, além da influência do estresse oxidativo, das alterações hormonais e da predisposição genética. É por isso que muitas pacientes utilizam bons clareadores, fazem procedimentos e ainda convivem com a recorrência das manchas”, explica Fabíola Faleiros, sócia-fundadora e farmacêutica da La Pharma e da Unna Pharma.

Segundo ela, essa evolução da ciência permitiu que os protocolos deixassem de atuar apenas sobre a mancha e passassem a olhar a pele de forma mais ampla.

“O objetivo não é simplesmente clarear uma região escurecida. Hoje buscamos reduzir processos inflamatórios, fortalecer a barreira cutânea, proteger as células contra os radicais livres e entender quais fatores estão estimulando continuamente a produção de melanina. Isso torna o tratamento muito mais inteligente e personalizado.”

Outro aspecto que ganha cada vez mais atenção é o impacto emocional provocado pelo melasma. Por ser uma condição que acomete principalmente o rosto e apresentar elevada taxa de recorrência, muitas pacientes convivem durante anos com a frustração de ver as manchas reaparecerem mesmo após longos períodos de tratamento.

“Recebemos mulheres que deixaram de sair sem maquiagem, evitam fotografias ou até atividades ao ar livre por vergonha das manchas. O melasma não afeta apenas a pele. Ele interfere na autoestima e na forma como muitas pessoas se relacionam consigo mesmas. Por isso, controlar a doença vai muito além da estética; é também recuperar qualidade de vida”, afirma Fabíola.

Nos últimos anos, esse novo olhar também aproximou diferentes áreas da saúde. Dermatologistas, farmacêuticos e profissionais da estética passaram a trabalhar de forma integrada, associando procedimentos, dermocosméticos personalizados e mudanças de hábitos para oferecer resultados mais consistentes.

“Na manipulação, nosso papel é atuar como parceiro do dermatologista e dos demais profissionais envolvidos no tratamento. Desenvolvemos formulações personalizadas de acordo com a prescrição e com as necessidades de cada paciente, respeitando características como tipo de pele, sensibilidade, rotina e objetivos terapêuticos. Essa individualização faz toda a diferença na adesão e nos resultados.”

A evolução dos dermocosméticos mudou a forma de tratar o melasma

Se há alguns anos o tratamento do melasma estava concentrado em poucos ativos clareadores, hoje a cosmetologia dispõe de uma série de ingredientes que atuam em diferentes etapas da formação da melanina. A estratégia deixou de ser apenas “clarear a mancha” para controlar os mecanismos que favorecem o seu reaparecimento.

Segundo Fabíola, essa mudança também ampliou o papel da manipulação magistral.

“Cada paciente apresenta características muito particulares. Algumas pessoas têm uma pele extremamente sensível, outras apresentam maior oleosidade ou já passaram por diversos tratamentos. A manipulação permite ajustar concentrações, escolher o veículo mais adequado e associar ativos que façam sentido para aquele caso específico.”

Entre os ingredientes que ganharam destaque nos últimos anos está o ácido tranexâmico, considerado hoje um dos ativos mais estudados no controle do melasma. Ele atua reduzindo mecanismos inflamatórios envolvidos na pigmentação da pele e pode ser utilizado em formulações tópicas ou, em situações específicas e sempre sob indicação médica, integrar protocolos sistêmicos.

“A ciência trouxe novas possibilidades para o tratamento. O ácido tranexâmico é um excelente exemplo disso. Hoje conseguimos associá-lo a outros ativos para potencializar resultados, respeitando sempre a avaliação clínica e o perfil de cada paciente.”

Outro ingrediente bastante utilizado é a niacinamida, derivada da vitamina B3, reconhecida por sua ação antioxidante, anti-inflamatória e por contribuir para o fortalecimento da barreira cutânea.

“Uma pele com a barreira preservada responde melhor aos tratamentos e tende a apresentar menos irritação. A niacinamida tem justamente esse papel de complementar o protocolo, enquanto auxilia no controle da pigmentação.”

Também fazem parte dessa nova geração de dermocosméticos ativos como ácido azelaico, ácido kójico, alfa-arbutina, vitamina C, retinoides e cisteamina, que podem ser utilizados isoladamente ou em associação, dependendo da avaliação do dermatologista e da necessidade de cada paciente.

“Não existe um ativo capaz de resolver todos os casos de melasma. Cada substância atua em uma etapa diferente do processo de formação da mancha. O sucesso do tratamento está justamente na escolha correta dessas associações.”

Quando a tecnologia também faz diferença

Além da evolução dos ativos, outra inovação importante está na forma como essas substâncias chegam à pele.

Nos últimos anos, sistemas de liberação baseados em nanotecnologia passaram a ser incorporados às formulações manipuladas, favorecendo maior estabilidade de determinados ingredientes, melhor penetração cutânea e menor potencial de irritação em alguns protocolos.

“Nem sempre aumentar a concentração significa melhorar os resultados. Muitas vezes, utilizar tecnologias que favoreçam a entrega do ativo permite alcançar melhor desempenho com mais conforto para o paciente.”

Essa possibilidade é especialmente importante para pessoas que convivem com peles sensíveis ou que necessitam de tratamentos prolongados, como acontece no melasma.

Muito além de copiar fórmulas

Para Fabíola, um dos maiores diferenciais da manipulação é justamente a possibilidade de construir um tratamento individualizado.

“Não trabalhamos apenas reproduzindo uma fórmula. Avaliamos quais ativos fazem sentido, em quais concentrações, qual textura será mais confortável para aquela pele e até a rotina da paciente. Um tratamento eficaz também precisa ser fácil de seguir.”

Ela explica que essa personalização permite adaptar o protocolo conforme a evolução clínica.

“À medida que a pele responde ao tratamento, as necessidades mudam. Podemos ajustar concentrações, substituir ativos ou modificar a formulação para manter os resultados ao longo do tempo.”

A pele conta apenas uma parte da história

Apesar dos avanços obtidos com os dermocosméticos, a ciência também começou a olhar para outro aspecto do melasma: o que acontece dentro do organismo.

Diversos estudos publicados nos últimos anos sugerem que processos relacionados ao estresse oxidativo e à inflamação podem contribuir para o surgimento e, principalmente, para a recorrência das manchas. Essa descoberta abriu espaço para uma abordagem complementar, que considera não apenas a saúde da pele, mas também fatores internos capazes de influenciar sua resposta ao tratamento.

“Hoje entendemos que tratar apenas a superfície da pele nem sempre é suficiente. Existem fatores internos que podem favorecer a manutenção do melasma e que também merecem atenção dentro de uma estratégia integrada.”

Quando o tratamento também olha para dentro do organismo

A evolução do conhecimento sobre o melasma também ampliou o interesse por estratégias capazes de atuar além da pele. Nos últimos anos, pesquisas passaram a investigar o papel do estresse oxidativo, da inflamação e de alguns nutrientes na resposta do organismo aos tratamentos dermatológicos.

Isso não significa que suplementos substituam os dermocosméticos ou o acompanhamento médico. Na prática, a proposta é outra: oferecer um suporte complementar ao organismo, especialmente em pacientes que apresentam recorrência frequente das manchas ou fatores associados que dificultam o controle da doença.

“O melasma continua sendo tratado principalmente com fotoproteção, dermocosméticos e acompanhamento dermatológico. O que a ciência vem mostrando é que, em alguns casos, cuidar do organismo também pode contribuir para uma resposta mais equilibrada da pele. É uma abordagem complementar, nunca uma substituição”, explica Fabíola Faleiros.

Entre os ativos mais estudados está o Polypodium leucotomos, um extrato vegetal conhecido por sua ação antioxidante e fotoprotetora. Embora não substitua o protetor solar, ele vem sendo utilizado como um complemento em protocolos individualizados para ajudar a reduzir os danos provocados pela radiação solar.

Outro ingrediente que desperta interesse é a astaxantina, antioxidante natural reconhecido por sua capacidade de combater os radicais livres. Vitaminas como C e E, além de minerais como zinco e selênio, também podem integrar protocolos personalizados quando existe indicação clínica.

“Cada paciente apresenta necessidades diferentes. Algumas pessoas podem se beneficiar de uma estratégia voltada para o controle do estresse oxidativo, enquanto outras precisam de uma abordagem diferente. Por isso, a suplementação deve sempre ser individualizada e baseada em avaliação profissional.”

Segundo Fabíola, esse conceito também deu origem ao que muitos especialistas chamam hoje de fotoproteção oral.

“É importante esclarecer que fotoproteção oral não substitui o protetor solar. Ela funciona como um recurso complementar, ajudando o organismo a lidar melhor com os efeitos da exposição à radiação quando existe indicação. O uso continua sendo associado ao filtro solar, roupas adequadas e outros cuidados com a pele.”

Tratamento integrado traz resultados mais consistentes

Para a farmacêutica, um dos maiores avanços no tratamento do melasma foi justamente a integração entre diferentes profissionais da saúde.

Dermatologistas, farmacêuticos, esteticistas e outros especialistas passaram a trabalhar de forma complementar, cada um contribuindo dentro da sua área de atuação.

“A manipulação permite transformar a prescrição em uma formulação personalizada, ajustando concentrações, veículos e associações de ativos. Isso melhora a experiência do paciente e favorece a adesão ao tratamento, que é um dos grandes desafios quando falamos em uma condição crônica como o melasma.”

Ela ressalta que o sucesso não depende de um único produto ou procedimento.

“Não existe uma fórmula milagrosa. O que existe é um conjunto de estratégias construídas de forma individualizada, considerando o perfil da paciente, seus hábitos, sua rotina e a evolução clínica ao longo do tempo.”

Os erros mais comuns de quem tenta tratar o melasma sozinho

Apesar da quantidade de informações disponíveis nas redes sociais, a automedicação ainda é um dos principais obstáculos para quem busca controlar as manchas.

Entre os erros mais frequentes, Fabíola destaca:

utilizar receitas caseiras, como limão, bicarbonato ou água oxigenada;

comprar ácidos pela internet sem orientação profissional;

abandonar o protetor solar nos dias nublados ou dentro de ambientes fechados;

interromper o tratamento assim que as manchas clareiam;

acreditar que um único produto será capaz de resolver o problema.

“Muitas pacientes chegam ao consultório depois de tentarem soluções divulgadas nas redes sociais. Além de não trazerem resultados, algumas dessas práticas podem irritar a pele, provocar queimaduras e agravar ainda mais a pigmentação.”

Mais do que clarear manchas, preservar a saúde da pele

Embora o melasma ainda não tenha cura definitiva, os avanços da cosmetologia, da manipulação magistral e da saúde integrativa vêm mudando a forma de controlar a doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Para Fabíola, essa mudança representa uma nova maneira de enxergar o cuidado com a pele.

“Hoje não buscamos apenas clarear uma mancha. Queremos entender por que ela surgiu, quais fatores favorecem sua recorrência e como podemos atuar de forma personalizada para manter a pele saudável ao longo do tempo. Quando unimos ciência, tecnologia e individualização, conseguimos oferecer tratamentos muito mais completos.”

A tendência, segundo ela, é que os protocolos se tornem cada vez mais personalizados, combinando dermocosméticos manipulados, fotoproteção rigorosa, hábitos saudáveis e, quando indicado, suporte nutricional individualizado.

O melasma não é apenas uma alteração de cor na pele. É uma condição que reflete a interação entre fatores internos e externos. Quanto melhor compreendemos esses mecanismos, mais inteligentes e eficazes se tornam os tratamentos.

BOX | O que pode piorar o melasma e muita gente ainda não sabe

Embora a exposição solar continue sendo um dos principais fatores desencadeantes, ela está longe de ser a única responsável pelo surgimento ou agravamento das manchas. Segundo Fabíola Faleiros, alguns hábitos do dia a dia podem estimular a inflamação da pele e favorecer a recorrência do melasma.

Excesso de calor

Não é apenas o sol que merece atenção. Forno, fogão, secador de cabelo, chapinha, sauna e ambientes muito quentes também podem estimular os melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina.

Luz visível

Além da radiação ultravioleta, a luz visível também pode contribuir para a pigmentação, principalmente em pessoas com fototipos mais altos. Por isso, o uso de protetores solares com cor pode ser um aliado importante quando indicado pelo dermatologista.

Oscilações hormonais

Gravidez, anticoncepcionais, reposição hormonal e alterações endócrinas continuam entre os fatores mais associados ao desenvolvimento do melasma.

Estresse oxidativo

Má alimentação, tabagismo, privação de sono, sedentarismo e estresse crônico aumentam a produção de radicais livres e podem favorecer processos inflamatórios relacionados às manchas.

Irritação da pele

O uso indiscriminado de ácidos, receitas caseiras e cosméticos inadequados pode causar inflamação e piorar o quadro, em vez de melhorar.

(Crédito: magnific)

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