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Mesmo com queda na criminalidade, furtos ainda preocupam a Baixada Santista; advogado defende cidades inteligentes como resposta

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Apesar da queda no índice de criminalidade, a Baixada Santista ainda convive com um problema que resiste à tendência geral de queda: os furtos. Em Santos, dados da Prefeitura com base na SSP mostram que, no segundo trimestre de 2026, os roubos caíram 25,2% na comparação com o mesmo período de 2025 — mas os furtos praticamente não se mexeram, com queda de apenas 1,62% (1.357 para 1.335 casos).

Enquanto os grandes indicadores de violência recuam, o furto ao morador comum segue praticamente estável. Diante desse quadro, o advogado William Callegaro avalia que parte da resposta está na adoção de tecnologia de gestão urbana pelos municípios da região.

“Os números gerais de violência estão caindo, e isso é uma boa notícia. Mas o furto, que é o crime que mais afeta o dia a dia do morador e do comerciante, não está acompanhando essa queda. É um sinal de que falta inteligência de dados voltada especificamente para esse tipo de crime, que muitas vezes passa despercebido nas grandes operações de segurança”, afirma Callegaro.

A análise: segurança como parte da cidade inteligente

Callegaro defende que municípios da Baixada Santista — Santos, Guarujá, Cubatão, São Vicente, Praia Grande, entre outros — recebam prioridade em programas federais de cidades inteligentes voltados à segurança pública, indo além da simples instalação de câmeras. Ele cita como exemplo um conjunto de tecnologias já testadas em outras cidades do país: iluminação pública inteligente, com luminárias de LED que reforçam automaticamente a intensidade da luz em pontos de maior movimento e reduzem os chamados “pontos cegos” que favorecem o crime noturno; sensores acústicos capazes de identificar o som de disparos de arma de fogo e triangular a localização em segundos, mesmo sem que ninguém acione o 190; e centrais integradas de comando, que reúnem em uma única tela dados da Polícia Militar, da Polícia Civil, da Guarda Municipal, do trânsito e da Defesa Civil. O modelo de central integrada já existe no Smart Sampa, em São Paulo, que cruza imagens de câmeras públicas e privadas com bancos de dados de procurados e desaparecidos em tempo real; e em Pato Branco (PR), onde um sistema com mais de 250 câmeras ativas se tornou referência nacional.

“Câmera sozinha resolve pouco. O que muda o jogo é cruzar esse dado com iluminação inteligente, sensor de disparo, aplicativo de denúncia do próprio morador e uma central única que enxerga tudo isso ao mesmo tempo. É assim que se sai de uma polícia que corre atrás do crime para uma gestão que consegue antecipar onde ele tende a acontecer — e isso vale tanto para o furto na loja quanto para emergências como alagamento e deslizamento, que também afetam a segurança da população na Baixada Santista. A tecnologia já existe e já funciona em outras cidades do Brasil; falta trazer isso para o litoral paulista, com investimento puxado pela União”, afirma Callegaro.

Financiamento federal e cuidado com direitos

Como advogado que acompanha políticas públicas de infraestrutura urbana, Callegaro defende que recursos de programas federais de segurança e infraestrutura sejam direcionados para que cidades da Baixada — hoje dependentes quase exclusivamente do orçamento estadual e municipal — consigam estruturar seus próprios centros integrados de monitoramento, indo além das câmeras para incorporar sensores de IoT, iluminação inteligente e canais de participação do cidadão, como aplicativos de denúncia com geolocalização. Ele também defende que esse avanço tecnológico venha acompanhado de regras claras de uso e proteção de dados, com atenção à LGPD e ao risco de viés algorítmico em ferramentas de reconhecimento facial e policiamento preditivo. “Tecnologia sem regra vira vigilância descontrolada, e algoritmo treinado com dado ruim pode reproduzir discriminação. Defendo o investimento em cidades inteligentes junto com protocolos rígidos de uso e auditoria desses sistemas, para que a ferramenta sirva para proteger o cidadão, e não para monitorá-lo indevidamente”, pontua.

Sobre o advogado

William Callegaro é advogado, com atuação voltada a temas de infraestrutura urbana e políticas públicas.

(Crédito: Divulgação)

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