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Pirarucu de manejo sustentável consolida presença na alimentação escolar pública do Amazonas

A cadeia do pirarucu tem transformado a realidade de comunidades tradicionais no interior do Amazonas. Resultado do manejo sustentável realizado por pescadores locais e comercializado pela marca coletiva Gosto da Amazônia, o pescado alia conservação da espécie, segurança alimentar, geração de renda e valorização da gastronomia regional, e já integra, desde 2017, a alimentação escolar da rede municipal de Manaus (AM).
O manejo é feito por pescadores locais em 13 regiões do Amazonas. O processo envolve vigilância dos ambientes aquáticos, reuniões de planejamento e avaliação e contagem dos peixes nos lagos, além do cumprimento dos requisitos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), órgão responsável por autorizar a pesca e indicar a quantidade de peixes que pode ser retirada por região, a chamada “cota de pesca”.

Entre essas regiões está o Médio Juruá, onde a Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC), parceira da marca, trabalha para aproximar a produção manejada de diferentes mercados e ampliar as oportunidades de comercialização.
Um dos principais mercados atendidos pela marca é a Secretaria Municipal de Educação de Manaus (Semed). Há nove anos, a ASPROC participa de chamadas públicas por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Para atender à Semed, o pirarucu é comercializado em formato de filé, sem espinhas e em pedaços que variam de 1 a 1,5 kg. Isso facilita o preparo em grande quantidade, reduz desperdícios e proporciona maior segurança durante o consumo.
“É importante destacar a importância da agricultura familiar na merenda escolar da rede municipal de Manaus. Ao adquirir alimentos de produtores locais, o município fortalece a economia regional, gera renda para as famílias do campo e garante alimentos mais frescos, nutritivos e de qualidade para os estudantes”, destaca Joseline de Almeida Araújo, nutricionista da Semed.
“Além de ser um peixe característico da Amazônia, rico em proteínas e nutrientes essenciais, sua apresentação sem espinhas oferece mais segurança para as crianças, reduzindo o risco de acidentes durante as refeições. Também proporciona mais praticidade para as equipes responsáveis pelo preparo da merenda, agilizando o processamento dos alimentos, diminuindo desperdícios e garantindo maior eficiência na produção das refeições”, complementa.
A versatilidade do pescado também ganhou reconhecimento nacional. A receita “steak de pirarucu com banana-pacovã”, preparada no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Manuel Bandeira, foi a vencedora estadual no 3º Concurso Melhores Receitas da Alimentação Escolar, promovido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do Ministério da Educação (MEC). A iniciativa reconheceu, a partir de votação popular, as melhores receitas de escolas públicas que acessam recursos do PNAE.
Expansão para novos mercados
A ASPROC também tem experiência com outros órgãos públicos. A primeira foi em 2014, quando a Secretaria de Educação do Estado do Amazonas (Seduc) lançou um edital com a espécie no âmbito do PNAE. Logo no ano seguinte, a iniciativa foi seguida pelo Exército Brasileiro. Atualmente, ambas as instituições são atendidas pela marca.
Outro fator marcante é o crescimento da produção manejada ao longo das temporadas, sobretudo no Médio Juruá. Em 2011, foram pescados 140 pirarucus em quatro ambientes aquáticos na região onde a ASPROC está sediada.
Já para este ano, a previsão é de que sejam pescados 7.700 peixes, cerca de 380 toneladas, em aproximadamente 170 áreas de pesca. Isso representa um aumento de mais de 1.800% na cota autorizada para pesca em cerca de 15 anos.
Embora fatores como distâncias geográficas, falta de estrutura e desafios de processamento, venda e distribuição estejam entre os principais gargalos, o crescimento da produção aumenta o potencial da marca para atender novos mercados institucionais.
A coordenadora de Comercialização da ASPROC, Ana Brito, analisa que compras institucionais por meio de políticas públicas, como PNAE e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), são uma oportunidade para fortalecer a comercialização da agricultura familiar amazônica.
“O pirarucu chegou no prato dos nossos alunos pra ficar. Com a demanda gerada por este mercado e o aumento da produção, se cria uma relação justa e equilibrada entre demanda e oferta. Com o controle da pesca, os volumes de pescado crescem a cada ano e com potencial pra atender todos os estados brasileiros que recebem recurso do PNAE e do PAA para compras públicas. O consumo do pirarucu manejado apoia as cadeias produtivas da Amazônia brasileira e a sociobiodiversidade”, afirma.
(Crédito: Francisca Lima)
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