Saude e Beleza
Seu corpo pode ter uma idade diferente da que aparece no seu documento

Idade funcional ajuda a explicar por que pessoas da mesma idade apresentam níveis completamente diferentes de força, mobilidade e autonomia. Especialista explica quais hábitos aceleram — ou retardam — esse processo e como é possível preservar a capacidade de movimento ao longo da vida.
Duas pessoas completam 50 anos no mesmo dia.
Uma sobe escadas sem dificuldade, pratica atividade física regularmente, viaja, brinca com os filhos ou netos e termina o dia com disposição.
A outra sente dores frequentes, evita caminhar longas distâncias, tem dificuldade para levantar da cadeira e acredita que tudo isso faz parte da idade.
Embora tenham a mesma idade cronológica, seus corpos contam histórias muito diferentes.
É justamente essa diferença que especialistas chamam de idade funcional — um conceito cada vez mais utilizado por profissionais da saúde para avaliar como o organismo realmente responde às exigências do dia a dia. Mais do que contar aniversários, ela considera aspectos como força muscular, mobilidade, equilíbrio, resistência e capacidade de realizar atividades com autonomia.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as condições musculoesqueléticas afetam aproximadamente 1,71 bilhão de pessoas em todo o mundo e representam uma das principais causas de dor, incapacidade e limitação funcional. A dor lombar, sozinha, é a principal causa de incapacidade global. Esses dados reforçam a importância de preservar a função do corpo antes que as limitações apareçam.
Para a fisioterapeuta Fabi Pinelli, especialista em dor e recuperação funcional, um dos maiores equívocos é acreditar que envelhecer significa, obrigatoriamente, perder movimento.
“É natural que o organismo passe por mudanças ao longo da vida. Mas perder autonomia, deixar de fazer atividades que antes eram simples ou conviver diariamente com dor não deve ser encarado como consequência inevitável da idade.”
Segundo ela, a idade funcional é construída diariamente.
“Ela é resultado dos hábitos que cultivamos durante anos. O corpo responde ao quanto nos movimentamos, à qualidade do sono, à força muscular que conseguimos preservar, ao tempo que permanecemos sentados e à forma como cuidamos da nossa saúde.”
O corpo começa a dar sinais muito antes da limitação
A perda de função costuma acontecer de forma gradual.
Antes de uma limitação importante, o organismo normalmente apresenta pequenos sinais que muitas vezes passam despercebidos.
A pessoa deixa de subir escadas porque sente desconforto no joelho.
Evita carregar peso.
Percebe que levantar do sofá exige mais esforço.
Começa a abandonar caminhadas ou atividades físicas porque “o corpo já não acompanha”.
“São adaptações que parecem pequenas, mas indicam que alguma capacidade funcional está diminuindo”, explica Fabi.
Quanto mais cedo essas alterações são identificadas, maiores costumam ser as possibilidades de recuperar movimento, melhorar a qualidade de vida e evitar limitações futuras.
Não é apenas uma questão de idade
Embora o envelhecimento seja um processo natural, ele não é o único responsável pela perda de função.
Sedentarismo, excesso de peso, privação de sono, estresse, tabagismo, doenças crônicas e longos períodos sentado aceleram o declínio da força muscular e da mobilidade.
Por outro lado, pessoas fisicamente ativas tendem a preservar essas capacidades por muito mais tempo.
“O corpo foi feito para se movimentar. Quando deixamos de utilizá-lo de forma adequada, ele começa a perder eficiência. A boa notícia é que essa perda pode ser retardada — e, em muitos casos, parcialmente recuperada — quando existe acompanhamento adequado e mudanças de hábitos.”
Sua idade funcional pode melhorar
Ao contrário da idade cronológica, que aumenta inevitavelmente com o passar dos anos, a idade funcional pode evoluir.
Programas de fortalecimento muscular, exercícios de mobilidade, equilíbrio, coordenação motora e estratégias voltadas para recuperação funcional ajudam o organismo a responder melhor às demandas do dia a dia.
“Nosso objetivo não é apenas aliviar uma dor específica. É devolver ao paciente a capacidade de viver bem. Quando recuperamos o movimento, recuperamos também independência, confiança e qualidade de vida.”
Cinco sinais de que seu corpo pode estar envelhecendo mais rápido do que deveria
Segundo Fabi Pinelli, vale procurar uma avaliação quando você percebe que:
sente dificuldade para levantar da cadeira sem usar as mãos;
evita escadas porque sente dor ou insegurança;
perdeu mobilidade em movimentos simples, como abaixar ou alcançar objetos;
sente rigidez frequente ao acordar ou após longos períodos sentado;
deixou de praticar atividades de que gostava por causa de dores ou limitações.
Como preservar a idade funcional
Não existe uma fórmula única, mas alguns hábitos fazem diferença ao longo da vida.
manter atividade física regular, respeitando a condição de cada pessoa;
investir em exercícios de fortalecimento muscular;
trabalhar mobilidade e equilíbrio;
evitar longos períodos de sedentarismo;
dormir adequadamente;
controlar fatores inflamatórios e doenças crônicas;
procurar orientação profissional ao perceber perda de função ou dores persistentes.
Para Fabi, o principal indicador de um envelhecimento saudável não é apenas a ausência de doenças.
“É continuar conseguindo viver a própria vida com autonomia. Caminhar, viajar, brincar com os filhos ou netos, praticar um esporte, trabalhar e fazer escolhas sem que o corpo imponha limites o tempo todo. É isso que realmente mostra como estamos envelhecendo.”
No fim das contas, talvez a pergunta mais importante não seja quantos anos você tem.
Mas sim: o seu corpo consegue acompanhar a vida que você deseja viver?
(Crédito: iStock)
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